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Do livro ao ecrã
Nesta edição do festival, que celebra a cultura italiana, são vários os filmes que cruzam literatura e cinema. Destaque para a celebração dos cem anos de nascimento do Andrea Camilleri, com o documentário Camilleri 100
Na 19.ª Festa do Cinema Italiano, que arranca esta quinta-feira, 9 de abril, várias obras revelam o diálogo contínuo entre cinema e literatura, entre adaptações, inspirações cruzadas e histórias que começam numa página para ganhar novas formas no ecrã.
Camilleri: o criador do comissário Montalbano
Camilleri 100, realizado por Francesco Zippel, que estará em Portugal para uma sessão especial no dia 18 de abril, às 15h00, no Cinema São Jorge, é uma viagem íntima e envolvente pela vida e obra de um dos maiores escritores italianos, no centenário do seu nascimento. Através de imagens de arquivo, entrevistas e testemunhos, o documentário revela o homem por trás do mito: o seu amor pela Sicília, a paixão pela escrita, a experiência na Rai e a ligação ao teatro. Da criação do comissário Montalbano à invenção de uma linguagem única, o filme explora um autor que inovou o género policial com ironia e profundidade.
Sessão: Dia 18 de abril, às 15h00, no Cinema São Jorge
As mulheres forçadas a provar a comida de Hitler
As Provadoras de Hitler, de Silvio Soldini, baseia-se no romance homónimo de Rosella Postorino. O filme recupera um episódio histórico pouco conhecido — o grupo de mulheres forçadas a provar a comida de Hitler — para construir um olhar íntimo sobre o medo, a sobrevivência e o corpo em contexto de violência. A adaptação preserva a tensão moral do livro, transportando-a para uma linguagem cinematográfica contida e física.
Sessões: Dia 13 de abril, às 21h30; Dia 19 de abril, às 20h00, no Cinema São Jorge
Três Vezes Adeus, filme de encerramento do festival
Também Três Vezes Adeus, de Isabel Coixet, filme de encerramento da Festa do Cinema Italiano, parte da literatura contemporânea italiana. Inspirado na obra de Michela Murgia, o filme acompanha um processo de separação e doença com uma delicadeza que mantém a franqueza emocional da autora. A escrita de Murgia, marcada por uma atenção particular às relações humanas e aos gestos quotidianos, encontra aqui uma nova forma, sem perder a sua dimensão íntima.
Sessão: dia 19 de abril, às 19h30, no Cinema São Jorge
Fuori: Valeria Golino no papel da escritora Goliarda Sapienza
Essa circulação entre formas prolonga-se em Fuori, de Mario Martone, que convoca o universo da escritora Goliarda Sapienza, narrando um episódio pouco conhecido, a sua passagem pela prisão. Mais do que uma adaptação direta, o filme aproxima-se da sua experiência e da sua escrita, explorando a relação entre vida, memória e criação literária, numa interpretação notável de Valeria Golino.
Sessão: dia 11 de abril, às 21h30, no Cinema São Jorge
Un anno di scuola, a descoberta da adolescência
Em Un anno di scuola, de Laura Samani, o ponto de partida é o romance de Giani Stuparich. A realizadora retoma este retrato de juventude para construir um filme sensível às tensões e descobertas da adolescência, mantendo o olhar atento às relações e aos silêncios que já atravessavam o texto original.
Sessões: Dia 10 de abril, às 21h30; Dia 14 de abril, às 19h00, no Cinema São Jorge
Um argumento nunca filmado de Fellini e Pinelli
Outros filmes revelam formas menos diretas de diálogo com a literatura. Napoli – New York, de Gabriele Salvatores, nasce de um argumento nunca filmado de Federico Fellini e Tullio Pinelli, evocando um momento em que a escrita e o cinema se cruzavam de forma particularmente fértil. Já Duse, de Pietro Marcello, aproxima-se da figura da atriz Eleonora Duse através de uma construção livre, onde a dimensão literária e histórica se fundem numa evocação cinematográfica.
Sessão Napoli – New York: 11 de abril, 18h30, no Cinema São Jorge
Sessão Duse: 15 de abril, 21h30, no Cinema São Jorge