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Gioia Mia é o grande vencedor da Festa do Cinema Italiano
Filme de Margherita Spampinato conta a história do pequeno Nico que é “obrigado” a passar o verão na casa da sua tia idosa, acabando por criar uma relação de cumplicidade. A Menção Honrosa da secção Competitiva foi atribuída a Ultimo Schiaffo, de Matteo Oleotto. O Prémio do Público foi conquistado em ex-aequo por La Vita da Grandi, de Greta Scarano, e White Lies, de Alba Zari. Já o Prémio Cinemax de Melhor Curta-Metragem foi atribuído a Festa in famiglia, de Nadir Taji. A Festa do Cinema Italiano em Lisboa encerra hoje com Três Vezes Adeus, de Isabel Coixet, nesta que é já, até ao momento, uma das melhores edições de sempre em termos de afluência de público, com cerca de 14 mil espectadores.
Já são conhecidos os filmes vencedores da 19ª edição da Festa do Cinema Italiano com um forte peso da realização no feminino, com três mulheres a conquistarem as principais distinções. O festival encerra hoje,19 de abril, em Lisboa, com Três Vezes Adeus, de Isabel Coixet, nesta que já é considerada uma das melhores edições de sempre em termos de afluência de público, com cerca de 14 mil espectadores até ao momento, a que se vão somar os deste último dia. A Festa do Cinema Italiano prossegue por outras cidades do país, até junho, dando a conhecer os principais destaques da cinematografia italiana.
Gioia Mia é o grande vencedor da Secção Competitiva
O Prémio principal da secção Competitiva foi atribuído a Gioia Mia, de Margherita Spampinato. O filme, que se estreou no Festival de Locarno e onde arrebatou o Prémio Especial do Júri CINÉ+ e o Pardo para a Melhor Atuação atribuído a Aurora Quattrocchi, conta a história de Nico, uma criança rebelde, citadina e ligada à tecnologia que vai passar o Verão na Sicília na casa de uma tia idosa, com um feito difícil e desconectada do mundo digital. Uma história que aborda duas gerações distintas que se unem em amores impossíveis, na saudade, e na criação de laços para a vida, naquela que é a primeira incursão da realizadora em longas-metragens. Margherita Spampinato já reagiu à conquista do Prémio principal da Festa do Cinema Italiano: "Muito obrigado por este lindíssimo prémio atribuído ao meu filme Gioia Mia. Receber um prémio é sempre um estímulo importante para continuar a trabalhar do mesmo modo, também em novos projetos. Em Gioia Mia, eu amei muito as minhas personagens”.
A Menção Honrosa da Competitiva foi atribuída a Ultimo Schiaffo, de Matteo Oleotto. Apresentado no Festival de Roma e vencedor do Prémio do Júri Jovens -35, o filme é uma intensa comédia negra de atmosfera semi-natalícia. Fábula amarga e evocativa, entre neve e paisagens geladas que lembram Fargo, o filme reinventa o Natal de forma inesperada, misturando humor negro e poesia de província.
O juri da Competitiva — constituído por Giusi Tinella (adida cultural e audiovisual do Institut français du Portugal), João Vilela Geraldo (editor e diretor de comunicação nas áreas do cinema, publicidade, arquitetura, design e fotografia) e a atriz Ana Vilaça (que, entre vários projetos, podemos ver em Entroncamento, de Pedro Cabeleira) — reforça o facto dos sete filmes a concurso demonstrarem dois eixos fundamentais: a capacidade criativa de Itália para abordar narrativas de periferias e “papéis secundários” e a vontade de evocar a beleza e poesia dos acasos. “Os sete filmes a concurso, na sua totalidade, mostram e evidenciam uma Itália que não é um postal ilustrado, que evita os estereótipos do Grand Tour, e que funciona também como palco de pequenos detalhes, silêncios, dúvidas. Aliás, muito mais dúvidas que certezas”, referem na justificação da decisão.
Trailer Gioia Mia
Trailer Ultimo Schiaffo
Prémio do Público atribuído a dois filmes que abordam a saúde mental
A Festa do Cinema Italiano abre também espaço para que o público decida qual é, na sua opinião, o melhor filme do festival. Nesta edição, a vitória é partilhada, mas, curiosamente, o tema central cruza-se no debate sobre a saúde mental. Um dos filmes vencedores é La vita da grandi, de Greta Scarano, que aborda a relação entre dois irmãos que aprendem juntos a serem adultos. Irene vive em Roma, longe de Rimini, a cidade onde cresceu e da qual fugiu. Quando a mãe lhe pede que volte por alguns dias para cuidar do irmão mais velho, Omar, que é autista, o regresso a casa reabre antigos desequilíbrios familiares. Omar, porém, tem ideias muito claras sobre o seu futuro: quer tornar-se autónomo, casar, ter três filhos e tornar-se um rapper famoso. Uma narrativa sobre a tentativa de encontrar o equilíbrio familiar e da procura de todos os sonhos possíveis.
O outro filme que mereceu a atenção do público é White Lies, de Alba Zari, um retrato autobiográfico da realizadora que nasceu e cresceu na Tailândia até aos oitos anos no seio da controversa seita Children of God e não guarda qualquer memória da sua infância. Acabou por descobrir já adulta que o homem que pensava ser o seu progenitor afinal não era o seu pai. Movida por uma necessidade urgente de compreender o seu passado, inicia um confronto emocional com a mãe e a avó, procurando respostas para as escolhas que marcaram a sua história e a pertença ao culto, bem como as consequências duradouras dessas vivências.
Trailer La vita da grandi
Trailer White Lies
Festa in famiglia, de Nadir Taji, vence Prémio Cinemax de Melhor Curta-Metragem
Pela primeira vez, a Festa do Cinema Italiano promove o Prémio de Melhor Curta-Metragem, reforçando o seu compromisso com a descoberta e valorização de novos talentos do cinema italiano. O galardão, promovido em parceria com a Cinemax, contou com seis curtas em competição, sendo o júri constituído por Anette Dujisin, coordenadora de programação da Festa do Cinema Italiano, e pelo jornalista Tiago Alves. A vitória coube a Festa in famiglia, de Nadir Taji, que valeu ao realizador uma distinção na Semana Internacional da Crítica, em Veneza. A curta aborda um episódio chocante. Numa atmosfera aparentemente serena de uma família marroquina, Hassan, de 20 anos, abusa sexualmente, às escondidas, da sua prima de apenas doze anos. Este episódio, uma vez revelado, coloca os adultos perante uma tarefa difícil: preservar a família ou enfrentar a situação incómoda.