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Focus Paolo Sorrentino
Por ocasião da estreia de La Grazia, o mais recente filme de Paolo Sorrentino, a Festa do Cinema Italiano apresenta um focus especial dedicado a um dos mais reconhecidos autores do cinema contemporâneo europeu.
Através de três obras marcantes, este programa propõe um mergulho no universo singular do realizador italiano, onde o olhar estético, a ironia e uma profunda reflexão sobre o poder, a decadência e a condição humana se entrelaçam de forma inconfundível. Este focus quer também sublinhar uma das colaborações mais emblemáticas do cinema italiano recente: a parceria entre o realizador Paolo Sorrentino e o ator Toni Servillo, presente desde a sua primeira longa-metragem e que se prolonga até ao seu mais recente filme.
O ciclo inclui A Grande Beleza, vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, um retrato deslumbrante e melancólico de uma Roma simultaneamente sedutora e decadente. No centro está Jep Gambardella, figura mundana interpretada por Toni Servillo, que percorre uma cidade feita de aparências, onde a beleza se revela tão intensa quanto efémera. Um filme-síntese do cinema de Sorrentino, onde o espetáculo visual convive com um profundo desencanto existencial.
Em Il divo, Sorrentino revisita a figura de Giulio Andreotti através de uma abordagem que cruza o real e o grotesco. Também protagonizado por Toni Servillo, o filme constrói um retrato fascinante e ambíguo do poder em Itália, explorando as zonas de sombra de uma das figuras mais enigmáticas da política italiana, num registo onde o rigor histórico se funde com uma estilização quase surreal.
O programa inclui ainda L'uomo in più, a primeira longa-metragem do realizador, onde já se vislumbram os temas e a linguagem que viriam a definir a sua obra. Ambientado numa Nápoles distante dos clichés, o filme acompanha duas figuras em queda — um cantor e um futebolista — num retrato implacável sobre o sucesso, o fracasso e a solidão.
Com este focus, a Festa do Cinema Italiano convida o público a revisitar três momentos essenciais da filmografia de Paolo Sorrentino, revelando a coerência e a evolução de um cinema que continua a reinventar-se, entre o excesso e a contenção, o real e o imaginado.