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Conheça os filmes da 19ª edição
Há festivais que se anunciam. E há festivais que regressam como um ritual: esperado, reconhecível, mas com o compromisso de surpreender.
A Festa do Cinema Italiano apresentou esta terça-feira a programação da sua 19.ª edição, que arranca a 9 de abril, em simultâneo no Cinema São Jorge, em Lisboa, e no Batalha Centro de Cinema, no Porto, com La grazia, o mais recente filme de Paolo Sorrentino. Um regresso que volta a colocar o cinema italiano no centro da vida cultural portuguesa. Não apenas nas salas, mas na cidade e no país.
Ao longo de mais de dois meses, o festival percorre cerca de 20 cidades, de Lisboa ao Porto, passando por Setúbal, Coimbra, Aveiro, Lagos ou Loulé, afirmando-se como uma das mais consistentes plataformas de circulação de cinema europeu em Portugal.
Um cinema que pensa o presente
A abrir, La grazia propõe um olhar íntimo sobre o poder e a fragilidade, acompanhando os últimos dias de mandato de um Presidente da República. Um filme que confirma a assinatura estética de Sorrentino — entre a grandiosidade e o silêncio — e que antecipa uma edição marcada por olhares diversos sobre o mundo contemporâneo.
Entre as antestreias nacionais (12 no total), destacam-se nomes centrais do cinema italiano atual, como Mario Martone, Gabriele Salvatores, Gianni Amelio e Gianfranco Rosi. Filmes que atravessam géneros e geografias, da memória histórica ao retrato social, do drama intimista ao cinema de autor mais experimental.
Entre eles, surgem histórias de guerra e consciência (Campo di battaglia), retratos sensoriais de território (Sotto le nuvole) ou viagens entre realidade e imaginação (Napoli – New York), compondo um mosaico cinematográfico que oscila entre o realismo e a fábula.
Entre o cinema de autor e a cultura popular
A programação abre também espaço ao cruzamento entre cinema de autor e cultura popular. Entre os títulos mais aguardados está Modi – Tre giorni sulle ali della follia, realizado por Johnny Depp, um retrato febril de Amedeo Modigliani na Paris de 1916.
Ao lado, o regresso de Claudio Giovannesi com Hey Joe, protagonizado por James Franco, e o fenómeno de bilheteira Buen Camino, com Checco Zalone, que levou milhões de espectadores às salas italianas, revelam um festival atento tanto à criação autoral como ao pulso do público.
Novas vozes, novos olhares
Na secção Competitiva, um conjunto de primeiras e segundas longas-metragens revela uma nova geração de realizadores italianos. Filmes que percorrem territórios de fronteira — geográficos e emocionais — e que chegam de festivais como Cannes, Veneza ou Roma.
Entre eles, Le città di pianura, de Francesco Sossai, ou Ultimo schiaffo, de Matteo Oleotto, mostram um cinema inquieto, livre e atento às pequenas histórias que constroem o presente.
Claudia Cardinale: uma presença que permanece
Um dos eixos centrais desta edição é a retrospetiva dedicada a Claudia Cardinale, figura incontornável do cinema europeu, celebrada ao longo de várias sessões na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.
Mais do que uma homenagem, trata-se de um reencontro com uma atriz que atravessou décadas e cinematografias, de Visconti a Fellini, mantendo uma presença que continua a ressoar no imaginário contemporâneo. A abertura contará com a presença de Claudia Squitieri, filha da atriz e presidente da Fundação Claudia Cardinale.
A secção Amarcord inclui ainda um ciclo dedicado a Pier Paolo Pasolini, com materiais raros e inéditos em Portugal, e uma evocação dos 50 anos de Brutti, sporchi e cattivi, de Ettore Scola.
Um festival que vai além do ecrã
A programação expande-se para lá das salas, com sessões especiais, debates e encontros que cruzam cinema e sociedade. Entre eles, Portuários em Ação propõe uma reflexão sobre trabalho e responsabilidade cívica, enquanto o programa Cinema Transfronteiriço Itália–Eslovénia revisita territórios marcados pela história e pela identidade.
Há ainda espaço para eventos paralelos, oficinas para famílias, stand-up comedy e experiências que cruzam cinema com música e gastronomia — incluindo o cine-jantar com exibição de O Leopardo, inspirado na retrospetiva dedicada a Claudia Cardinale.
Antes do arranque oficial, a AperiFesta volta a aquecer o festival com antestreias, música, gastronomia e convívio, numa programação que prolonga o cinema para lá das salas.
Um cinema que se vive
Ao longo de quase duas décadas, a Festa do Cinema Italiano consolidou-se como um espaço de encontro — entre filmes e espectadores, entre memória e presente, entre Itália e Portugal.
Mais do que um festival, é uma forma de habitar o cinema.
Há filmes que se veem. Outros que nos acompanham muito depois de a luz voltar à sala.
CONHEÇA OS FILMES EM EXIBIÇÃO.