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24.03.2026

Panorama: o cinema italiano de hoje, entre a beleza, a vertigem e a ferida

Na 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano, a secção Panorama volta a reunir alguns dos títulos mais relevantes e aguardados do cinema italiano recente. Entre autores consagrados, novas incursões criativas e filmes que passaram pelos grandes festivais internacionais, esta secção desenha um retrato amplo e vibrante do cinema italiano contemporâneo: um cinema que observa o presente, revisita a História, interroga os corpos, os afetos, o poder e a memória.

É também aqui que se encontra o gesto mais visível desta edição. A abertura faz-se com La grazia, de Paolo Sorrentino, filme que inaugurou o último Festival de Veneza e que, pela mão de Toni Servillo, acompanha os últimos dias de mandato de um Presidente da República. Elegante, luminoso e subtil, La grazia instala desde logo uma das linhas de força desta secção: a atenção aos momentos de suspensão, aos instantes em que a vida pública e a fragilidade íntima se tornam indistinguíveis.


O encerramento cabe a Três Vezes Adeus (Tre ciotole), de Isabel Coixet, adaptação do livro de Michela Murgia, onde a separação, a doença e o quotidiano se transformam num retrato íntimo sobre a despedida. Entre a contenção emocional e a delicadeza do gesto, o filme prolonga essa mesma ideia de cinema atento ao que se parte, mas também ao que permanece.


Entre estes dois extremos, Panorama abre-se a um conjunto de obras que atravessam géneros, tempos e geografias. Em Fuori, Mario Martone regressa à Roma de 1980 para seguir Goliarda Sapienza, escritora presa por roubo de joias, num filme sobre prisão, desvio, amizade e renascimento. Já Paolo Virzì, com Cinco Segundos (Cinque secondi), afasta-se da ironia habitual para construir um percurso de redenção, onde a dor e o cuidado se entrelaçam numa paisagem toscana marcada pela possibilidade de recomeço.


A guerra e as suas cicatrizes atravessam Campo de Batalha (Campo di battaglia), de Gianni Amelio, drama ambientado no final da Primeira Guerra Mundial, onde a automutilação dos soldados e a propagação da gripe espanhola revelam a violência absurda de qualquer conflito. Também As Provadoras de Hitler (Le assaggiatrici), de Silvio Soldini, regressa à Segunda Guerra Mundial para observar, a partir de um episódio histórico pouco conhecido, a vulnerabilidade do corpo feminino e a violência inscrita nos mecanismos do poder.


Há ainda filmes que se movem entre o retrato histórico e a evocação artística. Duse, de Pietro Marcello, imagina os últimos anos de Eleonora Duse, grande diva do teatro europeu, transformando-a em figura de resistência e liberdade num tempo atravessado pela guerra e pelo fascismo. Modì – Tre giorni sulle ali della follia, realizado por Johnny Depp, acompanha 72 horas decisivas da vida de Amedeo Modigliani na Paris de 1916, entre alucinação, fuga e desejo de reconhecimento, num filme de forte pulsão visual.


Noutros casos, Panorama convoca a aventura, a memória e a deslocação. Em Napoli – New York, Gabriele Salvatores recupera um argumento nunca filmado de Federico Fellini e Tullio Pinelli para contar a viagem de duas crianças do pós-guerra entre Nápoles e Nova Iorque, num filme que cruza realismo e fábula. Já Gianfranco Rosi, em Sotto le nuvole, mergulha entre o Golfo de Nápoles e o Vesúvio para compor um retrato hipnótico de um território onde o passado emerge sob a forma de ruína, cinza e respiração.


A secção acolhe também filmes que tensionam mais diretamente os géneros. La città proibita, de Gabriele Mainetti, funde kung fu, melodrama e universo tarantiniano numa Roma multicultural onde o combate se transforma em coreografia. La valle dei sorrisi, de Paolo Strippoli, assinala o regresso do terror italiano com um filme onde o sobrenatural, o culto comunitário e a dor se entrelaçam num cenário de inquietação crescente. Em Gli occhi degli altri, Andrea De Sica cruza thriller, melodrama e decadência burguesa, partindo de um caso real para construir uma história de paixão, obsessão e voyeurismo.


Mais íntimos, mas não menos intensos, Hey Joe, de Claudio Giovannesi, Il maestro, de Andrea Di Stefano, e Breve História de Amor (Breve storia d’amore), de Ludovica Rampoldi, propõem três variações sobre a relação, o desejo e o desencontro. No primeiro, James Franco interpreta um veterano americano que regressa a Nápoles para conhecer o filho que nunca viu. No segundo, Pierfrancesco Favino dá corpo a um mentor falhado, entre a impostura e a ternura, num verão italiano de finais dos anos 80. No terceiro, um adultério banal torna-se o ponto de partida para um jogo emocional de deriva e confronto.


Panorama afirma-se assim como uma secção de grande fôlego, onde a vitalidade do cinema italiano contemporâneo se revela em toda a sua pluralidade. Há aqui filmes sobre guerra, arte, poder, infância, paixão, terror e memória. Filmes que olham para o passado sem nostalgia, que observam o presente sem complacência e que continuam a procurar, no cinema, uma forma de tocar o que permanece instável, inquieto e profundamente humano.


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